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  • Foto do escritorSimony Ornellas Thomazini

A importância da Batalha de Rima para fortalecer o movimento cultural de Hip Hop em Nova Esperança

A Batalha de Rap (também conhecido como a Batalha de Rimas, batalhas de MCs) é um tipo de rap improvisado que inclui vanglória, insultos ou conteúdos de ostentação. Surgiu aproximadamente no início dos anos 2000 no Brasil onde se popularizou em meio a crescente do gênero no país.



Em Nova Esperança, existe a “Batalha do Campão”, um projeto idealizado em 2018 em que Gabriel Franco Martins, junto a outras 4 pessoas organizaram o que temos às quintas-feiras alternadas, localizado na praça próximo a feira do produtor.



Confira a entrevista:


NN: Como funciona uma batalha de rimas?


G: Inicialmente, o Mestre de Cerimônia, como é chamado o organizador da batalha, irá chamar a atenção da plateia. Fará algumas considerações especiais, avisos e lembretes de como funciona a batalha, além de citar os patrocinadores. Feito isso, é realizado o sorteio da primeira batalha com a quantidade de MCs presentes onde serão todos enumerados. A plateia escolhe dois desses números e é formado a primeira chave com confrontos que funcionarão da seguinte forma: 1 x 1, 2 x 2, e assim sucessivamente. É tirado par ou ímpar para início da batalha. São separados por 3 rounds.


Dependerá muito da organização das batalhas, mas na Batalha do Campão são feitas 4 entradas, a 1ª de 4 rimas, a 2ª e a 3ª de 2 rimas. A votação também dependerá da organização. Aqui em Nova Esperança é considerado apenas o voto da plateia, mas em outras como as regionais ou estaduais, contam os votos dos jurados. A votação é realizada a cada round. Se houver o 3º round, a entrada inicia com 2 rimas e ao invés de 4 como na primeira, serão 5 rimas. Se tiver, por exemplo, 16 MCs, terá o chaveamento, isto é: Oitava/Quartas/Semifinal/Final.



O campeão faz freestyle (rima feito no improviso) onde usará desse espaço para se expressar da maneira que quiser. Essa é considerada uma forma de prêmio por ter ganhado a batalha. O ganhador leva a “folhinha”, como é chamado, uma espécie de lembrança, algo simbólico que serve também para incentivar o ganhador. As premiações também variam de acordo com a realidade de onde são disputadas. Existem lugares onde se ganham camisetas, tênis, tatuagem, mas em geral, a folhinha é o prêmio mais tradicional.

Outras artes também tem espaço na batalha de rimas, como o grafite, por exemplo, esse é também um lugar dedicado para a diversificação de culturas.


NN: Como surgiu essa paixão pelo rap? Foi por influência de alguém?


G: Quando eu ouvi o gênero pela primeira vez, já gostei muito da forma como era produzido. Mas, meu maior incentivo é meu produtor Jhony (HerelsJhxny) que sempre me incentivou muito, através de estudos e, por ser a pessoa mais próxima a mim nesse sentido.


NN: Quais são seus planos futuros em relação a esse projeto? O que você pretende alcançar com ele?


G: Aumentar a importância e o peso da batalha de rimas em Nova Esperança dando espaço para outras culturas dentro do Hip Hop, como o grafite ou o break. Sair de uma batalha de rima e virar um projeto de Hip Hop. Começar a fazer workshops, ir para dentro das escolas.


NN: Quis são as principais frustrações vividas no local onde você está fazendo a batalha?


G: As principais frustrações são por falta de plateia e MCs. Normalmente a batalha no campão é feita com 5, 6 no máximo. Infelizmente, existe uma grande deficiência nessa parte. No início do ano tivemos entre 150/200 pessoas, mas na semana seguinte, o número caiu para 20. As últimas plateias, a maioria do público tem sido os próprios MCs. Isso me frustra bastante. E 90% são MCs fora da cidade, que vem de Maringá, Sarandi e Alto Paraná. As pessoas ainda não criaram o hábito de ir e fazer daquilo um entretenimento.


NN: Você pretende trabalhar ou já teve alguma pretensão em trabalhar com isso?


G: O foco sempre foi profissionalizar esse tipo de trabalho. Eu já faço shows em bares, mas nem sempre cantando Hip Hop, também já fui vocal de bateria universitária. Tenho um ritmo bem constante de estúdio e produção musical. Estou com alguns projetos a serem lançados, mas infelizmente, não é algo que dá um retorno monetário satisfatório.


NN: Como a batalha de rimas pode ser uma experiência enriquecedora? Envie uma mensagem para que as outras pessoas tenham interesse em frequentar a “Batalha do Campão”.


G: É um espaço em que não existe preconceito e você aprende a respeitar as diferenças do outro. É também um lugar onde se é estimulado ao crescimento como pessoa, além do próprio conhecimento que a experiência carrega, uma vez que te impulsiona a aprender mais. Envolve estratégia, pois é como se fosse um esporte, você precisa do raciocínio rápido no momento de improvisar as rimas. Estimula a criatividade, o vocabulário, o que torna a apresentação mais bonita. Também é uma forma de desenvolver a musicalidade e a ter domínio de palco. Por mais agressivo que pareça, tudo é feito com muito respeito e existe uma admiração grande com o trabalho do outro


Gabriel Franco Martins já apresentou batalhas em Alto Paraná como mestre de cerimônia, e em Maringá como MC. Ele vai a várias para poder criar a prática de desenvolver rimas, uma vez que são compostas dessa forma. Também lançou uma música “Não Quero de Volta” recentemente, onde você pode conferir através deste link:



Todos estão convidados para conhecer a “Batalha do Campão” e fortalecer o movimento cultural de Hip Hop em Nova Esperança que acontece às quintas-feiras alternadas em frente ao Rockets Bar, com início entre 19h30 e 20h.


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